A consulta de patologia endócrina na gravidez é coordenada desde o início pela Dr.ª Maria Lopes Pereira, cuja atividade clínica e investigação se têm centrado nesta área.
Durante muitos anos assegurada apenas pela especialista, que entrou no serviço em 2003, esta consulta envolve atualmente quatro elementos da equipa. Embora funcione numa lógica multidisciplinar, a médica reconhece que o modelo ideal passaria por uma articulação ainda mais próxima com a Obstetrícia. "É uma valência que representa um desafio muito grande para o serviço, consumindo várias horas", sublinha, antecipando que a procura tenderá a aumentar, num contexto de maternidade mais tardia e uma maior prevalência da obesidade.
Também dedicada a esta área, a Dr.ª Catarina Matos defende a criação de uma Clínica da Grávida, onde a consulta possa decorrer em conjunto com a Obstetrícia, com enfermeiras especializadas e com a Nutrição: "assim, todo o trabalho poderia ser mais facilitado e, de certeza, prestaríamos um melhor serviço às doentes".
Outra área com forte expressão no serviço é o tratamento da obesidade. "Dentro desta patologia, temos a avaliação dos doentes com obesidade numa perspetiva para tratamento farmacológico, uma consulta multidisciplinar – com a cirurgia – para avaliação dos candidatos à cirurgia bariátrica e o seguimento pós-cirúrgico", explica a Dr.ª Olinda Marques.
A Dr.ª Bárbara Araújo dedica parte da sua atividade a esta valência e, neste campo, a endocrinologista refere que a maior dificuldade que sente é o facto de trabalharem "individualmente", pois "gostaria que esta consulta fosse multidisciplinar e que envolvesse a Nutrição, eventualmente até o apoio da Medicina Física e Reabilitação. Sabemos, hoje em dia, que para tratarmos bem a obesidade, idealmente devemos ter um apoio multidisciplinar".
A Dr.ª Sara Esteves Ferreira partilha da mesma visão: "nós, como endocrinologistas, nunca abordamos só uma componente da obesidade, mas quanto mais multidisciplinar for o tratamento e a abordagem à pessoa com obesidade, maior vai ser o sucesso do tratamento, sendo esta uma doença muito complexa que tem várias dimensões. Temos que tentar atuar ao máximo nas diferentes dimensões para conseguirmos ter o maior sucesso possível no tratamento". Esta multidisciplinaridade está nos planos para o futuro do serviço, revela a endocrinologista.
Criada em 2022, a consulta de tumores neuroendócrinos nasceu para responder a um conjunto de patologias raras que, até então, estavam dispersas por diferentes consultas e especialidades dentro do hospital. "Estamos a falar de neoplasias neuroendócrinas, como feocromocitomas e paragangliomas, que muitas vezes têm uma associação genética e familiar. Sendo tumores da área da Endocrinologia, achámos que fazia sentido criar uma consulta para agregar estes doentes, mas também para rastrear familiares precocemente e diagnosticar esses tumores mais cedo", explica a Dr.ª Maria Joana Santos, coordenadora desta consulta.
Desde agosto de 2022 no serviço, a Dr.ª Joana Maciel divide a sua atividade entre a Endocrinologia Geral, a Diabetes Tipo 1, a consulta de tumores neuroendócrinos, a consulta conjunta de tiroide (dedicada ao acompanhamento de doentes com cancro da tiroide) e a realização de biópsias da tiroide. No âmbito da oncologia endócrina, a especialista identifica como principal desafio a complexidade clínica dos casos que acompanha: "sobretudo, tentar dar sempre aos doentes o melhor tratamento e as melhores respostas", refere, sublinhando a importância da articulação constante com outras especialidades. A evolução da resposta do Hospital de Braga nesta área é também digna de nota pela Dr.ª Joana Maciel pois, atualmente, já têm "capacidade para realizar tratamentos sistémicos que anteriormente obrigavam à referenciação para o Porto".
Entre os projetos mais recentes do serviço está a criação da consulta de rastreio da diabetes tipo 1, um domínio que reflete a aposta na inovação e na intervenção precoce. A consulta é coordenada pela Dr.ª Diana Borges Duarte, no serviço desde 2023. O objetivo, explica a endocrinologista, passa por identificar pessoas em risco antes do aparecimento dos sintomas. "Dessa forma, podemos intervir mais precocemente, não só com os fármacos que já existem e que estão em desenvolvimento, como também com a realização de ensaios clínicos", esclarece.
Entre os projetos mais recentes do serviço está a criação da consulta de rastreio da diabetes tipo 1, um domínio que reflete a aposta na inovação e na intervenção precoce
Também investigadora principal do serviço no grupo INNODIA, consórcio internacional dedicado à inovação na diabetes tipo 1, a endocrinologista adianta que 2026 marcará o arranque de dois ensaios clínicos com terapêuticas dirigidas à fase pré-sintomática da doença: "as expectativas são bastante boas. Queremos estar na linha da frente da inovação e do cuidado das pessoas com diabetes tipo 1, ainda antes de chegarem ao diagnóstico."
Também na área da diabetes tipo 1, a consulta multidisciplinar de aplicação de sistemas de perfusão subcutânea contínua de insulina está a cargo da Dr.ª Marta Alves, no serviço desde 2011. A especialista assistiu à transformação da Endocrinologia em Braga e fala num crescimento muito significativo desde que entrou. Na vertente que acompanha mais de perto, os números traduzem essa evolução: dos mais de mil doentes com diabetes tipo 1 seguidos pelo serviço, 32% utilizam atualmente bombas infusoras de insulina e, entre estes, 85% recorrem já a sistemas híbridos. Estes números colocam o Hospital de Braga entre os maiores centros nacionais nesta área.
"Sendo esta uma forma de melhorar significativamente a qualidade de vida dos doentes, o nosso objetivo é integrar neste grupo todos aqueles que possam beneficiar deste tratamento", sublinha. Para a endocrinologista, a ambição passa por continuar a acompanhar a evolução tecnológica e expandir o acesso: "queremos estar na linha da frente e fazer crescer este número todos os anos."